Conselhos para Jovens Designers

A Lisbon Design Week está a convidar Jovens Designers (portugueses ou a residir em Portugal) a expor o seu trabalho na LDW. Consulta todas as informações sobre esta Open Call e os critérios de participação na nossa página de candidatura. Falámos com Sam Baron sobre os momentos de viragem na sua carreira, os conselhos que deixa a jovens designers e por que razão esta é uma oportunidade a agarrar.


Qual é o conselho mais valioso que poderias dar a recém-licenciados que estão a tentar entrar no mercado?

Sê fiel a ti próprio. Não tentes seguir o que está a acontecer nas redes sociais. Faz a diferença e assegura-te de que as pessoas reconhecem que és tu quem está por detrás do trabalho. Foca-te verdadeiramente na tua identidade, no que gostas — não sigas tendências. Cria as tendências. É um grande desafio, mas se conseguires fazer isso, vais, sem dúvida, sobreviver na indústria do design.


Como é que os designers portugueses podem crescer no mercado nacional e internacional?

Acho que há algo de muito interessante em Lisboa, em Portugal, no panorama internacional do design. Primeiro, é um país que está no centro das atenções por várias razões: pelo bom clima, pelo estilo de vida, e também — digamos — pela cultura de design, que vai desde objetos vernaculares e humildes até algo muito especial e sofisticado.

Mas ao mesmo tempo, há também uma grande capacidade de produção no país — algo bastante raro na Europa. E há muitos elementos que, se forem combinados, tornam Portugal uma excelente razão para um jovem designer se estabelecer aqui, ou para alguém de fora vir descobrir o que pode fazer em Portugal.

Além disso, o mercado internacional está atento ao que este país poderá produzir na próxima década. Portanto, façam com que a cena do design em Lisboa brilhe. Acho que é um bom conselho.


Sobre momentos de viragem na carreira:

Tive dois, ambos ligados a Lisboa. Um foi quando cá vim pela primeira vez e descobri a produção de porcelana. Depois regressei ao meu país, ganhei uma bolsa e descobri uma galeria e loja chamada Fabrica, que apresentava peças de jovens designers. Havia um pequeno cartaz a dizer que procuravam talentos e que se tivéssemos menos de 25 anos podíamos candidatar-nos. No dia antes de fazer 26 anos, concorri — e acabei por passar um ano nesse centro de investigação em Itália e depois mais 10 anos como diretor de design. Por isso, sim — Lisboa é um ponto importante no mapa do design, pelo menos para mim.


Entraste também num concurso para jovens talentos. Isso foi decisivo para a tua carreira?

Sim. Acho que na carreira em design é sempre bom arriscar e propor-se a novos desafios. É uma forma de nos medirmos com colegas ou designers mais experientes que, eventualmente, vão ver a exposição em que participamos ou assistir à nossa palestra numa escola. É sempre uma boa oportunidade.

Arriscar, mostrar, fazer protótipos, investigar, experimentar vezes sem conta — e um dia, as coisas acontecem, quase como caídas do céu. Chega o nosso momento.


O que consideras ser uma peça expositiva marcante?

Para mim, uma boa peça expositiva é aquela que apresenta algo novo na forma, novo no conceito e que reflete claramente a individualidade de quem a criou. Nesta exposição procuramos talentos que não apenas saibam fazer, prototipar, produzir — mas que saibam expressar-se e tenham potencial para se tornarem os próximos grandes nomes do design.


Quais foram algumas das maiores lições que aprendeste ao longo da tua carreira?

Algo que recomendaria como designer de cabelos brancos à nova geração é: vai em frente, repete, tenta novamente. Pensa antes, mas quando chegar o momento de fazer, faz acontecer. Mostra, recebe feedback, aprende com isso — tudo é uma questão de experiência. Acredito que a vida e o design são uma só coisa. Cada dia pode ensinar-nos algo. O mesmo se aplica aos projetos de design.

Mantém o movimento — continua a absorver tudo o que cada projeto te pode dar. Pode ser o processo na fábrica, a reação do público, o prémio que ganhas ou o fracasso total do projeto. Tudo conta. O importante é continuar a aprender e a fazer.


Por que razão esta Open Call é uma oportunidade a não perder para jovens designers?

Esta Open Call para a exposição de Jovens Talentos da Lisbon Design Week é, na minha opinião, muito especial. Depois do sucesso do primeiro ano da LDW, há grande expectativa para a segunda edição — o público está ansioso por descobrir coisas novas. Por isso, sê uma dessas descobertas.

É também uma oportunidade de mostrar que sim, Lisboa está no mapa internacional do design, e que a partir daqui se pode chegar muito longe. Vai, arrisca.


Na imagem: Vaso em terracota de Sam Baron para a Maria Portugal Terracota.