Dentro da Mente Criativa: Uma Conversa com Bernardo Berga
Sentámo-nos com Bernardo para explorar o seu processo criativo e a inspiração por detrás do cartaz da LDW25.
O que consideras ser os elementos-chave que todos os grandes cartazes partilham?
O elemento mais importante que todos os cartazes marcantes partilham é uma boa narrativa. Um grande cartaz conta uma história inteira através de uma só imagem — algo que nem sempre é fácil de alcançar. Acho também que um bom cartaz, independentemente do tema, desperta a curiosidade de quem o vê e deixa vontade de descobrir mais sobre a sua mensagem.
Como sabes quando um design está terminado?
Será que um design alguma vez está realmente terminado? Acredito que um design só está completo quando está no mundo, quando já não pertence ao designer.
Como descreverias a tua linguagem visual e que influências a moldaram?
A minha linguagem visual é inspirada noutras práticas visuais, como a arquitetura e as artes visuais, mas ao mesmo tempo é muito metódica e estruturada. Começa sempre com um sistema e conceito complexos, que depois vou desenvolvendo e refinando até se tornarem mais legíveis e acessíveis — mantendo, no entanto, várias camadas.
Durante grande parte da minha carreira profissional trabalhei em livros, o que influenciou profundamente a forma como abordo a tipografia, a imagem e a narrativa. Nos últimos anos, tenho procurado desconstruir essa abordagem mais clássica e estruturada que o design editorial impõe. Por exemplo, algo que antes nunca teria considerado seria brincar com a ideia de legibilidade — como usar uma cor de texto muito próxima do fundo, aproximando a tipografia de um elemento visual texturado em vez de algo puramente legível.
Que efeito procuravas alcançar com o cartaz da Lisbon Design Week?
A intenção era combinar tipografia, vetores e imagem como um convite ao público para valorizar o artesanato e o pensamento por detrás do design. Quis criar algo que homenageasse as tradições artesanais portuguesas, mas que falasse a linguagem do design contemporâneo.
Como abordaste o desafio de combinar o artesanato tradicional com o design moderno neste projeto?
O cartaz é uma homenagem ao processo de design e à transformação das matérias-primas. Num mundo em que tudo acontece a grande velocidade, é importante destacar o percurso por detrás do trabalho e os elementos humanos e naturais envolvidos. Abordei esse desafio incorporando texturas e padrões inspirados no artesanato tradicional português, mas tratados através de uma lente contemporânea.