O português é falado oficialmente em nove países e por mais de 260 milhões de pessoas em todo o mundo. Ainda assim, dentro desta língua partilhada existe uma variação profunda. A pronúncia muda de geografia para geografia: as vogais abrem-se ou fecham-se, as consoantes suavizam-se ou alongam-se, e os ritmos transformam subtilmente o significado. Essas variações, conhecidas como sotaques, são mais do que curiosidades linguísticas: sinalizam a origem como experiência vivida, moldada pela terra, pela memória e pelo movimento.
SOTAQUE, um novo projeto coletivo que se estreia na Lisbon Design Week 2026, parte desta ideia e traduz-a em design. Reunindo 10 designers a trabalhar em Portugal, com raízes no Brasil, Angola, Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Guiné‑Bissau e Macau, a exposição na LDW ’26 interroga como as experiências diaspóricas se tornam forma, material e gesto.
Apresentado na Moldo Studios, no coração de Lisboa, o SOTAQUE desenrola‑se como um encontro de muitas vozes e trajetórias diversas: pessoas nascidas em Portugal, quem migrou em criança ou chegou já em adulto, refletindo sobre como o movimento diaspórico informa a prática de design contemporânea e sobre como os objetos se tornam portadores de identidade, memória, cultura e ideologia — negociando entre a ancestralidade e as realidades de um presente globalizado e tecnologicamente mediado. Na conversa abaixo, o curador e iniciador do projeto, Miguel Saboya, fala sobre como o SOTAQUE nasceu, porque é que Lisboa é o lugar certo para este início e como poderá ser, nos próximos anos, uma leitura mais diversa do que entendemos por “design português”.







