Qual foi a sua inspiração para o design desta embalagem de chá de edição limitada?
A inspiração para esta embalagem de chá de edição limitada vem diretamente da natureza narrativa do meu trabalho. As minhas imagens ganham frequentemente complexidade através de ligações emocionais com quem as observa, entrelaçando a vida quotidiana com toques subtis de ficção. Apesar de este projeto existir numa superfície diferente, não quis abdicar dessa dimensão narrativa. Em vez disso, utilizei a estrutura física da própria caixa como um elemento ativo na narrativa — um recipiente que não contém apenas chá, mas também um momento, uma memória.
A ilustração adota uma linguagem visual orgânica e sensível, ligando elementos naturais numa narrativa nostálgica construída em torno da memória. O chá torna-se um mediador entre o lar, a emoção e a recordação — um ritual tranquilo que nos leva de volta a lugares de conforto.
Neste sentido, a embalagem e a ilustração trabalham em conjunto para formar uma história complementar. Torna-se uma viagem suave através do tempo, que nos leva de volta à infância e a gestos simples como recolher folhas e transformá-las em pequenos tesouros. A natureza, a imaginação e a memória entrelaçam-se para evocar um momento íntimo de descoberta.
Como foi o seu processo criativo para este projeto?
O meu processo criativo começou por identificar o fio condutor emocional que queria seguir — a ligação entre a natureza, a memória e os rituais tranquilos que nos moldam. A partir daí, construí uma narrativa que se pudesse desenrolar nas duas partes da caixa: a parte superior e a parte de baixo da tampa. Desenvolvi esboços para ambas as superfícies, garantindo que a cena na tampa superior e a «revelação» por baixo se complementassem. Trabalhei com uma linguagem visual orgânica e sensível, utilizando cores fortes na tampa superior para enfatizar a ação e os campos primaveris, em contraste com tons bege naturais que conferem à cena interior uma sensação de pausa e calma. O fundo bege foi fundamental para ancorar a narrativa na calorosidade e na tranquilidade, evocando serenidade e aconchego doméstico no cenário do quintal. Ao longo do processo, concentrei-me não só nas imagens em si, mas também na forma como o observador iria interagir com elas — como a história se desenrola através da simples ação de levantar a tampa.
De que forma a forma da embalagem influenciou a sua abordagem de design?
A forma da embalagem foi central para o design. Em vez de a tratar como um simples recipiente, abordei-a como um objeto narrativo — uma superfície que revela diferentes partes da história à medida que é aberta, segurada ou virada.
A forma redonda e a estrutura em duas partes foram essenciais para a narrativa. Em vez de ilustrar uma única cena estática, tratei a caixa como um dispositivo narrativo que revela uma camada mais profunda de significado quando aberta.
A tampa superior apresenta um campo colorido de primavera ligado às minhas memórias de infância, onde as pessoas recolhem folhas. A parte de baixo revela um momento de serenidade primaveril: uma criança a brincar e um adulto a saborear chá feito com folhas recém-colhidas.
Esta interação física torna-se parte da narrativa. A forma circular reforça a ideia de ciclos — o ciclo da natureza, o ciclo da memória e o ritual de preparar e beber chá. A sua forma suave e contínua também permite que os elementos naturais fluam suavemente pela superfície. A embalagem não se limitou a apoiar o design; moldou toda a experiência narrativa.
Que sentimento quis evocar nas pessoas que vêem o seu design?
Em última análise, queria que o design levasse as pessoas a fazer uma pausa — a sentir a ligação emocional entre a natureza, o ritual e a memória. A perceber que o chá é mais do que uma bebida; é uma parte íntima da vida emocional, uma ponte suave entre o passado e o presente.
O meu objetivo era evocar calma, prazer sensorial e uma nostalgia terna — a sensação de um dia tranquilo de primavera, o calor do lar e a simplicidade das descobertas da infância.
O interior da caixa acrescenta profundidade, conduzindo o observador a uma memória de serenidade e conforto. Juntas, as duas ilustrações criam uma viagem no tempo: da frescura da natureza ao calor contemplativo de beber chá.
O que mais valorizas no design?
O que mais valorizo no design é a sua capacidade de criar conexão e significado. Sinto-me atraída por um design que transmita uma sensação de narrativa — que contenha uma história tranquila no seu interior, mesmo nos detalhes mais subtis. Para mim, o design torna-se significativo quando ressoa interiormente e convida à reflexão.
Valorizo o design que honra a simplicidade, ao mesmo tempo que deixa espaço para a emoção. Em última análise, acredito que o design não deve apenas resolver uma função, mas também enriquecer a experiência daqueles que o encontram. Deve parecer um convite — gentil, atencioso e enraizado na experiência humana.
Qual é a sua relação com o chá? Tem alguma memória especial ou algum chá favorito?
Para mim, o chá sempre esteve ligado a momentos de calma e presença. É um daqueles rituais simples que criam espaço — uma pequena pausa no dia que traz calor e equilíbrio. A minha relação com o chá está ligada a memórias sensoriais da infância: o cheiro das folhas secas, o calor da chávena entre as minhas mãos e a antecipação tranquila enquanto infunde.
Algumas das minhas memórias mais antigas envolvem estar ao ar livre, a recolher folhas e plantas, e a levá-las para casa como pequenos tesouros. O chá encaixa-se naturalmente nessa imagem — natureza, conforto e a ternura dos rituais do dia-a-dia. Ele personifica tanto a curiosidade como o cuidado.