Nesta série, exploramos duplas criativas que vivem e trabalham em Lisboa. Com foco no artesanato nas suas várias formas, ouvimos designers sobre como é colaborar no processo criativo e o que distingue a cena de design lisboeta. Os nossos amigos da Morgado do Quintão — produtores de vinho natural no Algarve — juntaram-se à conversa, brindando-nos com algumas das suas garrafas.
Falámos com Lucrezia e Iany, a dupla por detrás da Macheia, sobre a sua escolha de homenagear técnicas ancestrais como o bunho, depois de várias viagens a Santarém para estudar com os últimos mestres desta arte.
Comecemos pela vossa especialidade em design — o que vos atraiu no bunho?
Iany: Quando conhecemos o mestre de bunho Manuel Ferreira e esta técnica, percebemos que havia pouquíssimas pessoas a praticá-la — dois ou três artesãos. E pareceu-nos um caso de estudo para muitas outras técnicas artesanais. Estamos a assistir à extinção de saberes e não há manuais que os preservem.
Não existem livros ou espaços onde este conhecimento seja partilhado. Aprende-se com o pai, com o mestre. É um saber partilhado, quase intangível, uma forma de ver o mundo. E isso é algo que levamos muito a sério no nosso projeto — partilhar e disseminar este saber. Sublinhamos sempre a ideia de que não se trata apenas de uma peça — há todo um ecossistema por trás.