Nesta nova série, exploramos duplas criativas que vivem e trabalham em Lisboa. Com foco no artesanato nas suas diferentes formas, ouvimos designers sobre como é colaborar no processo criativo e o que distingue a cena de design lisboeta. Os nossos amigos da Morgado do Quintão — produtores de vinho com uma afinidade especial pela arte e pelo design — juntaram-se a nós nesta viagem, brindando-nos com algumas das suas garrafas durante a conversa.
Começamos com a dupla de cerâmica e marcenaria Natasza e Tomás, do estúdio Further Ther, que nos receberam no seu atelier no Príncipe Real, em Lisboa, acompanhados pela filha Irene.
Contem-nos como funciona o vosso processo criativo em conjunto e quais os papéis de cada um.
Tomás: A melhor forma de explicar de forma concisa é que a Natasza tem formação em belas-artes e eu em engenharia — e ambos transferimos isso para o mundo do design. Ela representa o lado mais intuitivo, aberto, conceptual; eu sou a parte mais técnica. Ela tem uma ideia, plausível ou não, e depois fundimos essa ideia até encontrarmos um material com que ambos nos identificamos. Mas acho que o que temos sempre em comum é a ligação ao material. Escolhemos os materiais com base na emoção e história que ambos sentimos com eles.
Temos também uma fusão interessante entre uma linguagem muito orgânica e outra mais geométrica e arquitetónica. Na cerâmica, nota-se mais a visão dela, mais fluida, mais ligada ao comportamento do próprio material. Na madeira, tenho de controlar mais — não posso permitir tanta liberdade. Preciso de referências mais exatas.
Por isso, no fundo, fundimos um lado mais aberto com um lado mais fechado — e encontramos um ponto de equilíbrio.