Há ruas em Lisboa que só se revelam a quem abranda o passo; raramente se anunciam, mas recompensam um olhar mais atento. A Avenida Infante Santo liga Santos a Estrela; é o tipo de lugar por onde a maioria das pessoas passa sem parar ou que se perde de vista pela janela do carro. Eu encontrei-a, por "acaso de trabalho": numa tranquila manhã de domingo em março, percorri-a de uma ponta à outra pela primeira vez e, em apenas 30 minutos, descobri as sete obras em azulejo, cada uma escondida à vista de todos e mais inesperada do que a anterior.
As obras estendem-se principalmente ao longo de um dos lados da avenida, montadas nos muros de suporte de seis escadarias e de um vasto túnel subterrâneo na parte inferior. Percorri-a de baixo para cima, onde o Google Maps me deixou, mas recomendo começar pelo topo (onde cruza com a Rua de Sant'Ana à Lapa) e deixar que a rua vos leve a descer em direção à frente da ribeirinha de Santos. Assim, permite que a avenida conte a sua história por ordem cronológica, começando em 1958 e terminando, décadas mais tarde, num espectro explosivo de cores à beira-rio.
Se tiverem tempo, façam o percurso duas vezes: ao perto, na descida, e depois novamente a subir pelo lado oposto da rua, onde a distância vos dá uma visão completa de cada obra de uma só vez. Os painéis, como a maioria das coisas na vida, ganham clareza com a distância.
Antes de começarmos a caminhar, deixo um breve contexto histórico. No final da década de 1950, à medida que cinco grandes blocos modernistas foram construídos ao longo da avenida, a cidade encomendou a quatro dos mais renomados artistas de Portugal a decoração dos muros das escadarias adjacentes, com uma visão centrada na cultura portuguesa e no mar. Eduardo Nery prolongou o percurso em 1994 e novamente em 2001. E, em 2007, o artista urbano Add Fuel revestiu finalmente com azulejos a única escadaria que tinha permanecido intocada durante quase sessenta anos, concluindo algo que a cidade tinha começado seis décadas antes.
Antes de se aventurar pela rua, reserve um momento para encontrar a figura abstrata em bronze de Jorge Vieira, que se agarra à parede de tijolo vermelho no topo da rua. Parte humana, parte algo mais difícil de nomear. Um bom presságio, diria eu.



























