A nova exposição “Alinhados pela mesma Lã” resulta de uma residência artística organizada pela Câmara Municipal de Loulé, através do Loulé Criativo, com a Agenda Floresta e Biodiversidade, uma iniciativa dedicada à valorização da lã da ovelha Churra Algarvia — uma raça autóctone do sul de Portugal que se encontra em risco de extinção. A exposição foi inaugurada a 10 de outubro e estará patente até 22 de novembro de 2025.
Conversamos com Vasco Águas, curador da exposição.
Quanto tempo durou a residência artística e como foi estruturada e organizada?
A residência artística teve uma duração total de seis meses, desde o primeiro encontro até à inauguração da exposição. Ao longo desse período, foi organizada em três fases complementares: a primeira dedicada à formação e partilha de conhecimentos, acompanhada pela Rita Guerreiro e pela Carolina Bruno de Sousa, da Algarchurra, e pela Paula e pelo Pedro Neves; a segunda centrada na produção artística, que combinou mentoria com trabalhos individuais e coletivos; e, por fim, a etapa da exposição, onde os resultados foram apresentados ao público no Palácio Gama Lobo, em Loulé. Paralelamente à estrutura oficial da residência, eu (produção) e o André Matos (imagem) fizemos um registo em vídeo, para memória futura, das tosquias e das vozes de dois pastores e criadores do Algarve que partilharam o seu saber e a sua relação com a ovelha Churra Algarvia, que pode ser visualizado quer na exposição, quer no Youtube.
Quais foram os principais objetivos ou linhas orientadoras deste projeto?
O principal objetivo do projeto foi celebrar e valorizar a lã da ovelha Churra Algarvia, uma das dezasseis raças de ovinos autóctones de Portugal e a única churra existente a sul do país. Esta iniciativa, que contou com o apoio e parceria essenciais da Algarchurra, procurou dar visibilidade a esta matéria-prima, reforçar os laços entre produtores, formadores, artistas e artesãos têxteis, e contribuir para a preservação do património cultural e histórico associado a esta raça autóctone.
Como descreveria a lã da ovelha Churra Algarvia?
A lã da ovelha Churra Algarvia distingue-se por ser uma fibra lanar lisa, longa e resistente, com uma textura mais áspera do que outras lãs finas. Estas características fazem com que seja tradicionalmente associada a usos utilitários, como o enchimento de colchões ou tapetes, em vez de vestuário delicado. Apesar disso, o seu potencial criativo é enorme, sobretudo quando explorada em contextos artísticos, onde a sua rusticidade se transforma em valor estético e artístico.

