Mariana Rola Pereira (n. 1988, Macau) vive e trabalha em Portugal. O trabalho de Mariana é inspirado na diversidade cultural que atualiza com a exploração das suas raízes portuguesas e de novas culturas (viveu no Brasil, Itália, entre outras viagens inspiradoras). As suas tapeçarias caprichosas e vibrantes retratam a sua criatividade e admiração pelas coisas (extra)comuns da vida. Utiliza um ponto antigo português - o ponto de Arraiolos - para dar vida aos seus desenhos.
A herança cultural de Rola - uma mistura de cultura cantonesa e portuguesa, uma avó equatoriana e um bisavô chinês - leva-a a contemplar o mundo com diferentes perspetivas e experiências. Inspirada pelo velho e pelo novo, equilibra uma abordagem contemporânea de técnicas e desenhos e a sua curiosidade por arquétipos e conceitos universais para traduzir novas histórias em obras de arte.
Artista autodidata, utiliza a sua formação em Arquitetura Paisagista para analisar o que a rodeia e refletir a sua estética e explorações em tapeçarias únicas.
As suas criações são um processo evolutivo que não pode ser capturado num estilo singular, mas sim uma expansão de vários sentimentos e diálogos - odes. O seu desejo de captar os significados da nossa existência e bordar as notas da conversa é o seu caminho para expandir a beleza, a contemplação e a pertença.
OdeRola torna-se uma homenagem ao património, à poesia e a tudo o que é feito à mão.
"O meu trabalho tece intrinsecamente a herança cultural, a pertença e a memória. No centro da minha prática está uma profunda ligação à minha herança cultural portuguesa, particularmente através de técnicas como o ponto de Arraiolos e a utilização de materiais e fornecedores portugueses. Este método de bordado, enraizado na tradição portuguesa, atua como uma ponte entre o passado e o presente. Esta fusão não só preserva o artesanato tradicional, como também convida a um diálogo sobre a identidade cultural no âmbito de conceitos contemporâneos. Crio espaço para o diálogo sobre a fusão cultural, os desafios e as alegrias de misturar diferentes identidades e estados de ser, convidando os espetadores a apreciar a beleza da pertença em todas as suas formas.
Os diferentes materiais e técnicas, como o ponto de Arraiolos e a tecelagem, não são meras escolhas artísticas, mas um meio de unir narrativas pessoais e coletivas. Cada peça têxtil é uma manifestação deste percurso, permitindo-me transmitir memórias e emoções ligadas à minha formação. Através da cor, do padrão e da textura, exprimo o calor e a diversidade das minhas raízes, criando uma narrativa vibrante que ressoa com experiências humanas partilhadas. A pertença também se estende para além da identidade pessoal, abrangendo a comunidade e a ligação. Interrogo-me sobre conversas sobre inclusão, promovendo um sentido de unidade entre diferentes origens, encorajando outros a refletir sobre as suas próprias experiências de pertença, colmatando lacunas e celebrando a singularidade da herança de cada indivíduo."
Lisbon Design Week 2025 — 2026